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MUHAMMAD YUNUS MOSTRA PARA O BRASIL COMO DIMINUIR A POBREZA ATRAVÉS DO MICROCRÉDITO 30/11/2007Em sua primeira visita ao País, Muhammad Yunus, Presidente do Grameen Bank de Bangladesh e Prêmio Nobel da Paz 2006, foi um dos conferencistas do último dia (30/11) da Eco Power Conference e falou sobre a experiência bem sucedida do programa microcrédito em Bangladesh. Em coletiva à imprensa, Yunus disse que a meta é acabar com a pobreza em Bangladesh até 2030. “No ano de 2000, 40% da população vivia em situações calamitosas. Pretendemos até 2015 diminuir a pobreza em até 20% e em 2030 diminuí-la completamente”, ressaltou.
Na luta para melhorar a qualidade de vida do seu país, Yunus criou em 1976 o Grameen Bank, hoje com um capital de 10 milhões. “Com apenas 27 dólares no bolso dei início a essa iniciativa, me oferecendo para ser avalista das pessoas”.
Também autor do livro “O banqueiro dos pobres”, Yunus disse que três questões foram de extrema importância para a diminuição dos índices de pobreza em Bangladesh. “Investimos na educação, incentivamos as mulheres que pedem empréstimos a manterem seus filhos na escola. Além da permanência das crianças e jovens nas escolas, o crescimento populacional diminuiu. Num período de 25 anos, o número de filhos por mulher estava na média de 6,3, hoje estamos com três. Melhorar a saúde também foi essencial no combate à pobreza”, contou. De acordo com o presidente do Grameen Bank, outro fator que contribuiu para o progresso de Bangladesh foi o engajamento da própria sociedade.
O Grameen Bank, que iniciou em uma aldeia e depois tomou abrangência nacional tendo hoje 2,5 mil filiais, tem atualmente cerca de 7,5 milhões de pessoas beneficiadas pelo microcrédito. “O banco é propriedade das pessoas que solicitam empréstimos. São elas as donas. Não exigimos nenhuma garantia do cliente. A taxa das pessoas que pagam seus empréstimos em dia chega a 99%”, destacou. Segundo Yunus, o Grameen Bank empresta anualmente cerca de meio bilhão de dólares.
Como Bangladesh é um país atingido com freqüência por catástrofes, como a mais recente, Yunus considera de extrema importância o programa microcrédito. “As pessoas precisam refazer suas vidas, e quando vão pedir empréstimos não sabem o que fazer. Sugerimos iniciarem por trabalhos simples, que já têm experiência, como criação de gado, colheita de arroz, produção de cestos”, explicou. Ele completa que no programa de moradia, por exemplo, não são cobrados juros, que deveriam ser de 8% anual.
De acordo com Muhammad Yunus, há quatro anos o Grameen Bank, em mais uma ação em prol da comunidade carente, começou a emprestar dinheiro para mendigos, sem juros. “O programa voltado para mendigos beneficia hoje mais de 100 mil pessoas. Destas, 10 mil deixaram de ser mendigos e passaram a ser vendedores. Os demais pode-se dizer que são mendigos em apenas meio período”, brincou,
SOBRE O BRASIL - Questionado sobre a viabilidade do projeto ser bem sucedido em um território tão abrangente como o Brasil, Yunus garante que isso não é impedimento para que o microcrédito dê certo. “Primeiramente tem que funcionar em um lugar para depois ser replicado”, explicou.
Yunus foi enfático ao dizer que iniciar um programa de microcrédito jamais se deve estabelecer vínculos com o governo. “Microcrédito e governo não combinam. O governo é uma entidade política. Por isso se tiver envolvimento com o programa microcrédito não dá certo. Entram em jogo os interesses políticos, a busca por votos”, destacou o Nobel da Paz. Ele acrescentou que o microcrédito deve ser feito de modo institucional e pertencer às próprias pessoas que requisitam empréstimos.
Segundo Yunus, o seu banco tem uma filosofia: o banco deve ir à pessoa e não a pessoa ir ao banco. “É preciso bater de porta em porta. Todo o dinheiro do Grameen Bank vem do pagamento dos empréstimos realizados. Não recebemos doações e nenhum recurso do governo”, ressaltou.
Em 2006, 64% das pessoas que ajudávamos ultrapassaram a fronteira da extrema pobreza. “Apesar de ser o número um em corrupção, Bangladesh conseguiu se reerguer”, disse Yunus, que fez questão de demonstrar esperança na erradicação da pobreza, que segundo ele um dia ainda “será coisa de museu”.
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